Há 27 anos no ar, a série esconde piadinhas matemáticas e já fez previsões certeiras sobre o futuro da tecnologia

Homer Simpson geralmente não pode ser considerado uma potência intelectual”. A frase de Simon Singh, PhD. em Física de Partículas da Universidade de Cambridge, parece realmente adequada ao personagem de raciocínio lento, fã do sofá e ávido consumidor de rosquinhas e cerveja.

Entretanto, o patriarca da família Simpson tem lá seus momentos de genialidade. Provavelmente você nem notou, mas ele já deu contribuições importantes para a resolução de problemas cabeludos, como o teorema de Fermat e a equação que prevê a massa do bóson de Higgs, e até aconselhou o físico e cosmólogo Stephen Hawking.

Quem reconheceu os trabalhos de Homer e de todos os outros membros da família Simpson para a matemática foi o próprio Simon Singh, que reuniu algumas dessas referências no livro Os Segredos Matemáticos dos Simpsons (Editora Record).

Confira alguns momentos nerds da série:

Homer discípulo de Thomas Edison
O episódio “O Mágico de Springfield”, de 1998, é um prato cheio para os fãs de ciência. A começar pelo título: um trocadilho com o Mágico de Menlo Park, apelido dado a Thomas Edison, inventor que acumulou mais de mil patentes em seu nome.

Nesse capítulo, Homer decide seguir os passos de Edison e se aventurar na construção de diversos aparelhos. Em um certo momento, ele aparece diante de uma lousa, tentando solucionar uma série de equações matemáticas. A primeira refere-se a massa do bóson de Higgs, também apelidada de “Partícula de Deus”.

Essa partícula subatômica só foi confirmada em 2012 e, de acordo com estudos conduzidos ao longo de 48 anos, seria ela a responsável por dar massa aos demais elementos do universo. Apesar de ter chegado a um resultado com 650 gigaelétron-volts (GeV) de diferença, muitos especialistas não consideram o palpite de Homer ruim. Afinal, ele era apenas um inventor amador, sem o respaldo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, entidade responsável por ter localizado a partícula.

Já a segunda equação quase alçou o pai da família Simpson ao posto de mente brilhante do século ao oferecer uma solução ao último teorema de Fermat, ou o Santo Graal da matemática. Em 1637, o francês Pierre Fermat propôs que a equação xn + yn = zn não tem solução, se n for um inteiro maior do que 2 e x,y,z naturais inteiros e maiores do que 0. Em 1995, o britânico Andrew Wiles compilou, ao longo de 130 páginas, provas de que não havia solução para a equação. Entretanto, Homer fez muitos matemáticos terem um mini ataque cardíaco ao apresentar o seguinte resultado: 3.98712 + 4.36512 = 4.47212. O truque é que a equação só funciona em uma calculadora simples, em que o resultado é aproximado, sem as casas decimais. E como bem lembra o autor do livro, na matemática não existe quase, ou temos uma solução ou não. Portanto, o teorema continua intacto.

O universo numa rosquinha
O formato do nosso universo é uma daquelas questões que tiram o sono de muitos cientistas. Mas não para o nosso sábio Homer. Para ele, essa é fichinha: o universo tem nada menos do que o formato de uma rosquinha. Essa resposta foi apresentada no capítulo “Eles Salvaram a Inteligência de Lisa”, de 1999, e conta com o aval de Stephen Hawking, um dos físicos mais famosos da atualidade.

Para os cientistas que buscam explicar a teoria do universo finito, essa possibilidade está longe de ser um absurdo. Imagine que o universo é uma folha de papel. De acordo com os ensinamentos de Einstein, o espaço pode se curvar, e uma possibilidade seria que as pontas dessas folhas se unissem, formando um cilindro. Em seguida, essas mesmas extremidades se conectam, formando uma rosquinha! Esse formato é uma possibilidade para a hipótese de universo finito pois, assim como acontece nos vídeos-games, se você for sempre para a direita ou para cima, acabará retornando à sua posição original. Uma realidade perfeitamente viável para Hawking e Homer!

Gurus da tecnologia
Formada por uma equipe de mestres e PhDs em matemática, física e ciência da computação, os autores e roteiristas de Os Simpsons têm mostrado durante a série que também estão de olho nas principais tendências da tecnologia. Nos mais de 600 episódios do programa, muitos gadgets já eram realidade na fictícia cidade de Springfield antes de serem criados em qualquer outro ponto do globo.

Você provavelmente invejou:

Stephen Hawking apareceu em episódio do desenho (Foto: Reprodução)

> O smartwatch que o noivo de Lisa utilizou para se comunicar no episódio “O Casamento de Lisa”. O capítulo foi ao ar em 1995 e o primeiro híbrido entre celular e relógio foi lançado quatro anos depois, em 1999.

> No mesmo episódio, que se passa no futuro, Marge Simpson aparece na tela de um telefone, em uma espécie de videoconferência. Apesar da primeira ligação com imagem ter ocorrido em 1964, por meio do Picturephone da AT&T, há 22 anos isso estava longe de ser uma ação rotineira em nossas vidas.

> Em 1994, no episódio “Lisa no Hóquei”, um aparelho da Apple já apresentava confusão devido ao seu corretor. Lembrando que o primeiro modelo do iPhone foi para o mercado apenas em 2007.

Onze anos antes da “Fazendinha”, ou FarmVille, virar um sucesso entre nossas mães e tias, os criadores dos Simpsons já haviam pensado em um simulador de jardinagem que deixou as crianças de Springfield completamente viciadas. A premonição foi no episódio “Bart no Circo”, de 1998.

Fonte: revistagalileu

 

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