A Amnistia Internacional vai entregar, na quarta-feira, uma petição subscrita por quase 60 mil portugueses, que insta o Presidente dos Estados Unidos a emitir um perdão a Edward Snowden antes de terminar o mandato na Casa Branca.

A iniciativa, que reuniu mais de um milhão de assinaturas no mundo inteiro, incluindo 59.818 em Portugal, junta Amnistia Internacional, American Civil Liberties Union, Human Rights Watch, Demand Progress e CREDO Action, no âmbito da campanha Pardon Snowden.

Fonte: jn

Edward Snowden trabalhou para a NSA (Agência de Segurança Nacional) americana. Foi responsável por vazar informações para os principais jornais do mundo sobre o “Projeto Prisma”, que consiste num sistema de vigilância global da rede, contando com o apoio de diversas empresas listadas nos documentos fornecidos por ele.
Após fugir dos Estados Unidos, com o apoio de ativistas do Wikileaks (responsáveis por enviar os documentos sigilosos aos principais jornais do mundo), Snowden conseguiu, depois de mais de dois meses preso no aeroporto da China (os EUA invalidaram seu passaporte), asilo político na Rússia.
Desde então, ele tem dado entrevistas a jornalistas e via livestream sobre como o Projeto Prisma viola direitos básicos de todos os cidadãos do mundo.
Ele afirma que após os atentados de 11 de setembro de 2001, todo esse esquema de espionagem deixou de focar em indivíduos ou grupos que apresentam potencial de risco e passou a abarcar toda a população.

Segundo os documentos vazados, a NSA possui acesso direto aos servidores do Google (englobando todos os sites que bilhões de pessoas utilizam com contas google, como Youtube, Gmail, etc), Facebook, Apple. As empresas listadas (Google, Facebook, Microsoft, Youtube, Yahoo, AOL, Skype, Paltalk) negaram, posteriormente, envolvimento com o projeto da NSA. Mesmo com a afirmação do FBI de que, por exemplo, somente a Apple possui acesso aos seus servidores, Snowden reafirmou à corte americana que “isso é tudo besteira”.

Tão sério é este assunto que após as denúncias feitas pelo ex-consultor de segurança nacional, uma série de violações da privacidade de milhões de usuários da internet vieram à tona. Até mesmo sites pornográficos caíram na vigilância. Quem também sofre as consequências destas violações de privacidade são os jornalistas que atuam conjuntamente com Wikileaks ou com qualquer meio de vazamento de documentos sigilosos que exponham atos criminosos de governos e empresas contra os cidadãos. Estes jornalistas precisam manter suas fontes em total anonimato a fim de preservar a segurança dos envolvidos (dos hackers que tiveram acesso aos documentos e, na medida do possível, do jornalista que fará a ponte de comunicação com eles).
Citamos alguns exemplos:

– O programa de vigilância britânico “Nervo Óptico” (Optic Nerve) coletou imagens de webcams de mais de 1.800.000 usuários do Yahoo!
(Fonte: yahoo)

– Documento secreto vazado por Edward J. Snowden mostra que um escritório de advocacia americano foi monitorado enquanto representava um governo estrangeiro em disputas comerciais com os Estados Unidos
(Fonte: nytimes)

– Polícia Federal Australiana admitiu ter buscado acesso a metadados de um repórter do Guardian sem um mandado na tentativa de caçar suas fontes/informantes
(Fonte: theguardian)

– Documentos altamente secretos revelam que até mesmo sites adultos foram monitorados pela NSA
(Fonte: huffingtonpost)

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